Sobre / Paulo Cauhi
Do meu primeiro computador aos produtos que crio com IA.
Vendi picolé para comprar peças de computador, saí do Brasil para a Austrália, construí negócios e precisei recomeçar. No meio de tudo isso, continuei aprendendo. Essa trajetória faz parte de tudo o que construo hoje.
Leia minha história
Uma peça de cada vez
Minha relação com a tecnologia começou aos 11 ou 12 anos, numa loja de computadores ao lado de casa. Eu passava bastante tempo ali, ajudando a formatar máquinas e reinstalar o Windows 95. Gostava de descobrir como tudo funcionava e de ver um computador voltar à vida depois de mexer nele.
Aos 14 ou 15 anos, montei meu primeiro computador. Comprava as peças aos poucos, com o dinheiro que ganhava vendendo picolé e laranjinha na rua. Uma memória, um HD, uma placa-mãe. Cada peça era uma conquista. Ali começou uma paixão pelo processo de construir que continua comigo até hoje.
Essa curiosidade também me levou a empreender. No Brasil, comecei a vender roupas, criei minha loja online e aprendi a fazer publicidade na internet. Viajava para comprar produtos, vendia pelo site e atendia pessoas em casa. Gostava de participar de tudo: escolher o produto, montar a operação e encontrar os clientes.
Encontrando meu caminho
Mas havia outra vontade que me acompanhava desde criança: aprender inglês. Foi isso que me trouxe para a Austrália. Cheguei com pouco dinheiro, sem falar a língua e sem conhecer ninguém. Trabalhei em construção, como garçom, com limpeza e em outros serviços enquanto aprendia o idioma e encontrava meu caminho.
Com o tempo, comecei um negócio de aluguel de quartos que chegou a acomodar cerca de 60 pessoas. Ao perceber que muitos moradores precisavam de bicicletas elétricas para trabalhar com entregas, desenvolvi uma marca com dois sócios e organizamos a produção de 40 bicicletas na China para trazer à Austrália.
Aprender a recomeçar
As bicicletas chegaram junto com a pandemia. Muitos moradores voltaram para seus países, os apartamentos ficaram vazios e eu continuei pagando os aluguéis, sem entender quanto tempo aquilo duraria. Em poucos meses, o dinheiro que havia acumulado durante anos de trabalho acabou. Precisei devolver os apartamentos, vender os móveis e encerrar os dois negócios.
Foi um período de recomeço. Eu já tinha experiência com instalação de cortinas, área em que havia crescido de instalador a supervisor. Abri minha própria empresa e fui reconstruindo minha vida aos poucos. Cerca de um ano depois, consegui um contrato de instalação no One Sydney Harbour. Durante quatro anos, liderei uma equipe de 12 pessoas na instalação de aproximadamente 6 mil cortinas elétricas. Também montei os sistemas que usávamos para administrar a empresa.
O aprendizado continuou
Mesmo enquanto construía esses negócios, eu sempre voltava para a tecnologia. Em 2019, já estudava Linux e programação de scripts. Depois, estudei análise e desenvolvimento de sistemas na FIAP e fiz um bootcamp de desenvolvimento web. Tocava os negócios e aprendia a desenvolver software ao mesmo tempo. Os sistemas que criei para a empresa conectavam essas duas partes da minha vida.
Quando o projeto do One Sydney Harbour terminou, pude dedicar mais tempo ao desenvolvimento de software e à inteligência artificial. Eu já tinha ideias e aplicativos em andamento, e encontrei no Cursor uma maneira de levar esses projetos adiante. Passei um ano estudando e desenvolvendo intensamente, muitas vezes por dez ou onze horas por dia.
No fim de 2025, comecei a tentar criar meu próprio agente local. Queria conversar com ele por mensagem e pedir que realizasse tarefas no meu computador. Quando conheci o OpenClaw, encontrei uma ferramenta que se aproximava muito do que eu estava tentando construir. Passei meses estudando, experimentando e colocando agentes para trabalhar. Hoje, continuo esse caminho com o Hermes.
A mesma curiosidade
As ferramentas mudam, mas minha motivação continua a mesma de quando eu comprava peças com o dinheiro dos picolés: entender como as coisas funcionam e construir algo com elas.
Este site é onde compartilho esse processo. Aqui você encontra as ferramentas que uso, os projetos que desenvolvo e o que aprendo colocando a IA para trabalhar em situações reais.
Atividade pública de desenvolvimento
Minhas contribuições públicas no GitHub ao longo do último ano.
4.404
contribuições no último ano